segunda-feira, 13 de maio de 2013



Cerca de 12 dias em NY.... série de conferências na Community Bible Church - Southampton.
Se Deus quiser, até a volta!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O REINO DE DEUS COMO RESPOSTA A UM MUNDO ENFERMO


 

Texto Bíblico: Marcos 4.30-32


Introdução:
Quero iniciar nossa reflexão contando-lhe uma historinha muito curiosa que li na internet, do publicitário Sérgio Valente. Uma história sobre Problema e Solução. Diz a história:
         "... Era uma vez, há muitos e muitos anos atrás, um reino beemm distante (talvez não tão distante quanto você imagine) disputado por duas famílias. Duas famílias que dividiam os poderes do reino de Crescimento. Duas famílias que, na verdade, não se gostavam muito, mas se completavam muito bem. Mesmo por que os filhos, ah os filhos!, eles se amavam loucamente.

O príncipe Problema era um pouco mais velho. Tinha nascido antes. Mas a princesa Solução era linda, era tudo com que Problema sonhava. Aonde Problema ia, desde pequenininho, Solução acompanhava, meio escondida, principalmente quando Problema ainda era pequeno.

Solução tinha esse dom meio mágico, conseguia se esconder, mas, quando era descoberta, ah!, ela se revelava realmente linda. E Problema, vendo a beleza radiante da Solução, quase que se escondia atrás dela.

Eram completos juntos. Quanto mais crescia, mais Problema conquistava novos reinos e admiradores, tendo sempre ai seu lado a radiante Solução, que sempre o acompanhava nas contendas que enfrentava.

Cresceram em idade e em amor. Já não havia um sem o outro. E o reino do Crescimento tomou um tamanho nunca visto antes, pois, com os príncipes apaixonados Problema e Solução, tudo era resultado.

Mas um dia (já percebeu que toda história tem um "mas um dia"?) o reino foi invadido pela esquadra da irmãs Insegurança e Covardia (um braço da família que havia sumido por um tempo, mas estava lá, planejando a sua volta e sua vingança contra o reino do Crescimento).

Veja que tristeza, pouco antes do casamento dos príncipes, Solução foi seqüestrada. Ninguém viu. Ninguém soube. Ninguém ajudou. E o reino feneceu.

Problema ficou ranzinza. Ninguém suportava conversar com ele. Problema, sem Solução, era insuportável, todos no reino já quase esqueciam como aquele garboso e vigoroso príncipe Problema era generoso quando acompanhado da princesa Solução. Mas ele estava só e, quanto mais só ficava, mas só era deixado e mais ranzinza se tornava.

Durante muito, muito tempo, todos do reino passaram até a ter medo do príncipe Problema. Quando ele surgia, todos fugiam. E, quanto mais ficava só, mais só era deixado e mais ranzinza se tornava.

Do outro lado do mundo, a Princesa Solução, em busca de um Problema, não resolvia nada, não fazia ninguém feliz. Solução, iludida pela magia da irmãs, ainda via Problema aonde não existia nada, somente para completar-se.

Veja, que tristeza: Solução estava tão perto, mas escondida (lembra que ela sempre teve uma capacidade enorme de se fazer desaparecer até o ultimo momento em que, nesse caso, nunca chegava?). Problema tão perto, mas sozinho, reclamando, na torre de seu castelo, onde ninguém tinha coragem de chegar perto.

Um tormento. Dois tormentos. Problema, sem ter sua Solução. Solução, tentando descobrir seu Problema. E o reino fenecendo (adoro essa palavra, acho tão "era uma vez" - mas segue a história).
Até que um dia, escreveram um livro. Um livro mágico. Um livro tão poderoso, escrito por um mago da região que iluminava tudo. E, quanto mais lido, mais poderoso se tornava. E todos no reino começaram a ver.

Problema na verdade era mal compreendido. Ele era aquele mesmo ser adorado que ajudava a todos e tinha feito o reino crescer tanto. Um a um, todos do reino começaram a visitá-lo.

No início foi difícil mesmo, mas, quanto mais pessoas encaravam o Problema, mas se encantavam com as possibilidades que havia perto dele.

Graças a esse livro mágico, Problema passou a ser tão amado, tão amado, que ser coração começou a irradiar uma luz tão forte, mas tão forte, que destruiu a magia das irmãs malévolas, e Solução, deixando-se guiar pela luz de Problema, revelou-se em todo seu esplendor na porta do castelo. Problema levantou de onde estava. Solução irrompeu sala adentro. E...

Ah! a felicidade do encontro. Quando Problema e Solução se encontraram, amaram-se loucamente, trazendo felicidade para todo o reino.

Pouco tempo depois tiveram um filho: FUTURO. E Futuro tornou-se rei mais junto, sábio e poderoso de toda a história. E fez todo reino crescer com ele. Pois guardava todo o poder do pai, Problema, e toda a ternura da mãe, Solução."

Sergio Valente
Presidente da agência de publicidade DM9DDB
           
Há um provérbio chinês curioso que diz:
“Se o problema tem solução, não esquente a cabeça, porque tem solução. Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça, porque não tem solução”

Nossa vida é recheada de problemas. Muitas vezes a gente ouve ou mesmo fala: - Nossa, minha vida é só problema! São problemas no trabalho, problemas financeiros, problemas de relacionamento, problemas de saúde, problemas de família, existenciais e assim segue-se uma lista infindável deles. O fato é que eles fazem parte das nossas vidas e normalmente ficamos chateados, abatidos, achamos ruim e dedicamos grande parte do nosso tempo pensando e falando deles e claro aumentando seu poder já que tudo aquilo que damos atenção cresce.

Israel tinha um problema e este tinha nome – romanos. Jesus era visto pelos seus discípulos como a solução para um imenso problema em Israel. Israel, bem como todo o mundo daqueles dias, viva debaixo do domínio, do governo e do império dos romanos. Assim que foi ressuscitado, a indagação que tomou conta do coração e da mente dos discípulos dizia respeito à mensagem que o Senhor pregara sobre o Reino de Deus. Então, eles indagam – “Será este o tempo em que restaurarás o reino a Israel ?” (Atos 1.6-7). Quando virá o reino de Deus ?

Eles estavam antenados à mensagem de Jesus sobre o reino, mas o reino que eles ansiavam, não era exatamente o que o Senhor oferecia.... O reino não era em um primeiro momento a solução do problema político, econômico e social que eles viviam. Os discipulos desejavam um reino terreal, um reino material, um reino visível... e Jesus frustra este anseio ao dizer-lhes em Lucas 17.20-21: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós!”


Assim como os discípulos de Jesus, pensamos em alternativas e soluções para nossos problemas pontuais, imediatos, sociais...  Jesus revela uma solução para aquela realidade, de uma maneira que nem sempre estava clara aos olhos dos seus – o problema do mau que habita no sistema, como resultado de um mundo caído diante de Deus. Se o Reino é apresentado por Jesus como solução, evidentemente, inegavelmente é porque em seu entorno estava claro e notório a presença de um problema.

Assim foi, que ao ensinar seus discípulos a dinâmica da oração, Jesus ensina na Oração do Pai Nosso que:
·        As coisas de Deus necessitam vir antes de tudo, para que olhando para Deus, para seu nome, seu reino e sua vontade tenhamos uma percepção correta das questões pertinentes a nós: o pão, o perdão, o mau, a tentação...
·        Por isso, na oração do Pai Nosso aprendemos a clamar: “Venha o teu Reino”!

Narração:
O texto lido nesta hora está no Evangelho de Marcos. Champlin declara que as características deste Evangelho são três:
a.   A brevidade do relato;
b.   A organização do material
c.   A intensidade das narrativas.

- Por brevidade devemos entender que Marcos é o mais sintético dos Evangelhos sinóticos. Lucas tem 40 páginas, 24 capítulos e 1147 versículos; Mateus tem 37 páginas, 28 capítulos e 1068 versículos; já o Evangelho de Marcos tem 23 páginas, 16 capítulos e 661 versículos.

E nestes 16 capítulos, encontramos 20 milagres descritos, sendo que vários deles, com excessiva intensidade e detalhamento que nem mesmo Lucas, o médico – descreveu. Vemos muitos enfermos, coxos, cegos, paralíticos, lunáticos e endemoninhados. Gente afastada de casa, morando em sepulcros, aflitas diante do mau que as acometia. Marcos apresenta um Jesus dinâmico, que oferece solução aos dramas pessoais...

Uma outra realidade interessante é a afirmação presente em Marcos 2.17, que diz: “Os sãos não precisam de médico, e sim, os doentes; não vim chamar justos e sim pecadores ao arrependimento”.

Todavia, o tema central do Evangelho de Marcos, pode ser sintetizado na frase: “A Obra que me deste para fazer”.

Ao olharmos para o Evangelho de Marcos, podemos neste texto aprender algumas importantes lições:

1.   UM COMEÇO INSIGNIFICANTE

Usando da metáfora do grão de mostarda, Jesus informa aos seus discípulos que o Reino de Deus tem sempre um início insignificante. Em outras palavras – as coisas de Deus começam sempre, de maneira despretensiosa. Não sei quantos já tiveram a oportunidade de ver um grão de mostarda. Geralmente, pelo tamanho diminuto, temos que ver vários.... No conceito judaico daqueles dias, entre as sementes conhecidas, a do grão de mostarda era sem dúvida, a menor de todas.

Quem olha para este grão, tem a impressão de algo insignificante, despretensioso. Quem ao ver uma semente destas poderia imaginar o tamanho da árvore que se torna ?  Assim é o reino. Sua visível aparência é despretensiosa. Seu início é insignificante...

         - MOODY: Creio que você já tenha ouvido falar do Evangelista Moody. Um dos grandes pregadores do passado, nos EUA. Moody não dormia enquanto não pregasse o Evangelho a uma pessoa diferente por dia. Conta-se que em certa ocasião, ele esteve atarefado com diversas outras atividades e já tarde da noite, ao deitar-se, lembrou que não havia falado do Evangelho com ninguém naquele dia. Levantou-se e passou a perambular pelas ruas chuvosas da cidade, até que deu carona com seu guarda-chuva a uma pessoa que transitava toda molhada. No caminho falou—lhe do amor de Deus. A questão não é sobre a obra que Moody realizou. Esta é inegável e reconhecida por todos. A pergunta é – quem pregou o Evangelho para Moody ? Você sabe quem levou Moody a Cristo ?

Conta-se sobre sua conversão que um professor de ED, incomodado com o comportamento dos adolescentes de seus dias, passou a orar por eles e ministrar-lhes fora do tempo da ED. Por meio deste desconhecido, professor de ED, um dos maiores evangelistas do mundo – veio a Cristo.

         - BILLY GRAHAM: Você certamente já ouviu falar de Billy Graham, o maior evangelista vivo dos nossos dias. Pregou para milhões de pessoas no mundo todo. Confidente e conselheiro de diversos presidentes americanos. Sabemos que Billy Graham era um roceiro da região do Tennesse. Um caipirão desengonçado, com sapatos enormes – numero 46 e com sotaque camponês. Não sabemos quem pregou o Evangelho a Billy Graham. E imagino que quem o fez, nunca imaginou que daquele caipira desengonçado, Deus suscitaria o maior evangelista vivo da atualidade...

Assim é o reino. Ele não vem com visível aparência. Ele começa sempre de maneira despretensiosa, insignificante. Nasce em Belém...


2.   UM DESENVOLVIMENTO IMPRESSIONANTE

Usando da metáfora do grão de mostarda, Jesus informa aos seus discípulos que o Reino de Deus tem um desenvolvimento impressionante, com um poder exorbitante de progresso. Em outras palavras – As coisas de Deus podem parecer pequenas e insignificantes no seu início, mas germinadas, elas crescem, e se expandem, e se desenvolvem sempre, mais e mais...

Não há bulas, ou receitas prontas para este desenvolvimento do reino – A parábola da semente que após semeada, germina de se desenvolve, não sabendo o agricultor como.... e se torna frondosa, árvore exuberante... eis o reino. Seu crescimento é a expansão da esperança.

-  TELÊMACO – Roma, 391 dC : Telêmaco não gostava da agitação da cidade grande, mas estava decidido a ir para Roma, pois tinha ouvido claramente a voz de Deus dizendo–lhe que seguisse de imediato para a capital do Império.
Assim que chegou ali, viu–se no meio de uma enorme multidão dirigindo–se para o mesmo lugar, como se todos houvessem combinado um encon­tro. Em alguns minutos, estava entrando no Coliseu junto com a multidão agitada que celebrava a volta dos combates entre gladiadores.

Setenta anos atrás, Constantino havia proibido a morte de cristãos no Coliseu e também banido às lutas de gladiadores. Todavia Honório, o novo Imperador, cedera aos pedidos do povo e permitira novamente que gladiadores lutassem até a morte.

Telêmaco assentou–se entre as oitenta mil pessoas que lotavam o está­dio e constatou, para seu espanto, que já havia gladiadores enfileirados no centro da arena apenas aguardando o sinal para começarem a lutar. O idoso Telêmaco, cristão devoto e amoroso, simplesmente não conseguia acreditar no que via: jovens gladiadores lutando ferozmente na arena en­quanto a multidão enlouquecida gritava de satisfação.

De repente, um dos gladiadores ficou preso na rede de seu oponente e caiu ao chão, imobilizado. De pé, a multidão de milhares pedia sua execução, pois estavam sedentos por sangue, já que há setenta anos não se via um gladiador morrer no Coliseu para entretenimento do povo.

Os oficiais desceram à arena, verificaram a situação e concordaram com o povo, sinalizando com o polegar voltado para baixo. Imediatamente o gladiador de pé cravou seu tridente no peito do oponente caído, cujo grito nem pôde ser ouvido, abafado pelo clamor da multidão satisfeita.

O morto foi arrastado para fora da arena deixando um rastro de san­gue, mas ninguém prestou atenção. Outros gladiadores já estavam em posição de ataque, prontos para começar outro embate.

Naquele instante, Telêmaco entendeu por que Deus o mandara a Roma Apesar de idoso, desceu pela parede que delimitava a arena e correu até o centro do Coliseu, diante de toda a multidão. Ele colocou as mãos no peito de ambos os gladiadores e gritou: "Em nome de Cristo, parem! Não desprezem a misericórdia de Deus atacando uns aos outros com a espada"!
A multidão ficou silenciosa por alguns instantes, mas logo alguém gritou: "Aqui não é lugar para pregação!". E mais outra pessoa disse: "Os antigos costumes de Roma têm de ser restabelecidos!" Então todos exigi­ram que o velho Telêmaco se afastasse e a luta continuasse.

Um dos gladiadores o acertou no estômago com o cabo da espada, jogando–o ao chão. Quando os lutadores iam recomeçar o combate, Telêmaco levantou–se rapidamente e outra vez se colocou entre eles, empurrando–os e dizendo: "Em nome de Cristo, parem"!
A multidão enraivecida começou a gritar: "Matem o velho! Acabem com ele! Tirem–no daí", e jogavam contra Telêmaco tudo o que tinham nas mãos, principalmente pedras e paus.

Um dos gladiadores, estimulado pelos gritos no Coliseu, cravou a espada no estômago de Têmaco, atravessando–lhe o corpo. Imediatamente, as oitenta mil pessoas fizeram um silêncio ensurdecedor. Telêmaco caiu de joelhos e o sangue rapidamente formou uma grande poça vermelha ao seu redor. Em seu último fôlego, ele gritou novamente: "Em nome de Jesus, parem!" Então caiu sobre o rosto e faleceu.

Não se ouviu mais nem uma palavra sequer. Por instantes, ninguém se moveu, até que um homem da multidão se levantou e saiu. Logo outro homem e sua mulher deixaram o Coliseu. E mais outros. Vagarosamente, a multidão se levantou e foi embora. O silêncio de todos revelava a dor e a culpa que sentiam. A partir daquele dia, nunca mais houve lutas de gladiadores no Coliseu.

Uma semente que lançada, cresceu de maneira exuberante, impressionante e dinamizadora!

3.   UM PROPÓSITO ACOLHEDOR
A semente plantada, que cresceu e tornou-se refúgio, lugar de acolhimento, lugar em que as aves podem se aninhar, descansar, procriar... O reino é lugar de conforto e acolhimento. Barclay em seu comentário diz que as aves gostam de pousar nos galhos das ávores de mostarda, porque além de sua sombra aproveitam das suas sementes para se alimentarem...


Missão Vida: Em Anápolis há uma casa de recuperação de dependentes químicos de origem cristã, dirigida por um pastor presbiteriano. O que teve início com a preocupação de um único homem que no caminho do seu trabalho, encontrava um conhecido deitado no chão, e que misericórdia e graça ajudou-o a sair daquela condição - hoje é abrigo, socorro e lugar de esperança para centenas de jovens dominados por todo tipo de drogas (legais e ilegais). Gente que ali, na Missão Vida encontra o abrigo da semente pequenina do grão de mostarda, que cresceu e hoje dá sombra e alimento... fé e esperança para muita gente!

CONCLUSÃO:
No livro: Lições de Vida, de Paulo Mundin Prazeres encontramos uma história curiosa. Segundo ele, a história vale como metáfora...

Quando os americanos iniciaram o lançamento de astronautas, se depararam com o seguinte problema: as canetas não funcionavam em gravidade próxima a zero. Para resolver esse enorme problema, contrataram a empresa de consultoria Consulting – hoje Accenture. Empregaram cerca de 12 milhões de dólares na elaboração de um projeto que visasse sanar o problema.

Conseguiram enfim, uma caneta que escrevia em gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d´água, em praticamente qualquer superfície, em temperaturas baixíssimas e também altas demais.

Os russos na corrida espacial enfrentaram o mesmo problema... usaram lápis!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia do Indigena - desafio missionário à Igreja de Jesus



O Cenário Indígena Brasileiro e a Atuação Missionária Evangélica
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Vivemos em um país onde há oficialmente 257 etnias indígenas perfazendo uma população aproximada de 700.000 pessoas. Segundo o pesquisador Paulo Bottrel apenas 4 etnias (Katuena, Mawayana, Wai-Wai e Xereu) possuem a Bíblia completa em seus idiomas, 34 dispõe do Novo Testamento e outras 59 contam com porções bíblicas. Apesar das 25 Agências Missionárias que bravamente atuam entre os índios em nosso país, ainda contamos com um vasto campo que necessita do evangelho: 103 grupos permanecem sem presença missionária e 180 não possuem uma igreja local entre eles.

É certo que o desafio vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composto por faces, vidas, histórias e culturas milenares as quais tem sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição sócio-economica, etnofagias e perdas culturais irreversíveis.

Em meio a todo este quadro há gritante necessidade de homens e mulheres que se disponham a encarar a transmissão do evangelho valorizando o homem e sua cultura dentro de uma esfera de compreensão lingüística e aplicabilidade social, o que envolve o ultrapassar de várias barreiras. Uma delas é o estudo, registro, preservação, uso e valorização das línguas maternas. 

O Apelo das Minorias 

No contexto sul-americano nosso país possui a maior densidade lingüística e diversidade genética e, paradoxalmente, uma das menores concentrações demográficas por língua falada. As 185 línguas indígenas são distribuídas em 41 famílias, dois troncos e uma variedade desconhecida de línguas isoladas . Em meio a esta gritante diversidade apenas 3 etnias (Tikuna, Kaingang e Kaiwá) possuem mais de 20.000 pessoas e a média de falantes por língua é de 196 pessoas. 53 povos têm menos de 100 indivíduos e há aqueles com menos de 10 representantes como os Akunsu, com 7 pessoas, os Arua com 6 e os Juma também com 7 indivíduos. Quando pensamos em grupos indígenas nos confrontamos com a realidade de povos minoritários. 

Nos anos 80 pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes do Puruborá. Em 1995 foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê e Pierre Grenand reconhece a existência de 52 grupos ainda sem contato com o mundo exterior cujas línguas não foram estudadas, praticamente todas minoritárias. 

O Brasil evangélico não indígena, por sua vez, experimenta desde os anos 80 um rápido crescimento tanto em número de templos como de convertidos, motivo de louvor a Deus. Isto por outro lado têm nos levado a desenvolver uma missiologia mais pragmática, que cultua os resultados, do que Escriturística, que valoriza a obediência à Palavra. Assim, tanto a expectativa missionária por parte do corpo evangélico nacional quanto a prática no plantio de igrejas valoriza o quantitativo. E isto não será encontrado no universo indígena pois a conversão de toda uma tribo pode representar, em alguns casos, apenas uma dúzia de pessoas. Precisamos ser relembrados do desejo de Jesus: tornar-se conhecido dentre todos os povos, tribos línguas e nações da terra e isto jamais acontecerá enquanto não evangelizarmos os grupos minoritários. Precisamos de uma Igreja apaixonada por Jesus e disposta a gastar tempo e recursos no preparo de seus obreiros a fim de fazer o evangelho de Cristo conhecido entre todos os povos, também os minoritários. É preciso encarnar a conceito bíblico sobre o valor de uma alma. Vale mais que o mundo inteiro. 

O Apelo da Subsistência Lingüística 
Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. Significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia. Isto possui raízes diferenciadas que vão desde a imposição socioeconômica nas tribos mais próximas dos vilarejos e povoados até a falta de uma proposta educacional na língua materna, fazendo-os migrar para o Português ou outra língua indígena predominante na região. 

Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1273 línguas, ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto delata uma crise sociolingüística no estado de Rondônia onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais usadas pelas crianças e por terem um numero pequeno de falantes. 

Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais irreparáveis como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. Perde-se também a ponte de comunicação para um pleno entendimento do evangelho. No processo de perda lingüística e migração para o Português, os grupos indígenas normalmente passam por um processo de adaptação quando não possuem mais fluência na antiga língua materna e também não aprenderam o suficiente do novo idioma, para uma comunicação mais profunda. Este é um momento de perigo e perdas quando a identidade indígena é auto-questionada, seus valores substituídos e, sobretudo, seu poder de comunicação diminuído. A presença missionária catalogando, analisando e registrando a língua indígena a valoriza perante seu próprio povo e abre caminho para sua preservação. O evangelho, assim, não apenas responde os questionamentos da alma mas contribui para a sobrevivência cultural. 

O Apelo da Tradução Bíblica 
‘Se Deus nos ama, porquê Ele não fala a nossa língua ?’  Estas palavras impactaram a mente de William Cameron Towsend quando trabalhava com o povo Cakchiquel da Guatemala desde 1919. Após ser despertado para a necessidade de comunicar o evangelho na língua materna de cada povo ele se dispôs a fundar a SIL (Sociedade Internacional de Lingüística) que atua perseverantemente na tradução das Escrituras. Mas esta não é apenas uma preocupação moderna. Martinho Lutero, reformador protestante, percebeu rapidamente a incapacidade da Igreja conhecer a Deus sem conhecer a Palavra e, assim, lançou em 1534 a primeira edição da Bíblia por ele traduzida, e em linguagem comum alemã. 

A força missionária tem sido ao longo das décadas um divisor de águas na subsistência das línguas indígenas brasileiras sob o esforço da SIL , Missão Novas Tribos do Brasil, ALEM e JOCUM, além de outras Agências que bravamente se empenham nesta tarefa. Apesar do contigente missionário ser formado em maior parte por Brasileiros, devemos reconhecer que os resultados historicamente obtidos nesta área advém do esforço de muitos preciosos linguístcas estrangeiros que valorosamente trabalharam e trabalham na análise e grafia lingüística, e tradução da Palavra para vários idiomas, como o caso do missionário Robert Hawkins que dedicou 54 anos de sua vida traduzindo a Bíblia completa para a língua Wai-Wai. Louvado seja Deus. 

O presente apelo é por mais obreiros (estrangeiros, brasileiros e indígenas), que tenham desejo de se esmerar no estudo lingüístico e se preparar da melhor forma possível para transmitir o evangelho para estes 180 grupos onde ainda não há, entre eles, uma igreja genuinamente indígena. 

Conclusão 
Alguns anos atrás, quando estávamos integralmente envolvidos com a evangelização dos Konkombas em Gana na África, participei de uma conferência em Chicago onde se reuniam missiólogos e missionários de boa parte do mundo. Muitos temas eram estudados mas sobretudo havia oportunidade para desafios missionários nas preleções da noite. Em minha sessão, falando sobre povos ainda não alcançados, tentei confrontar o auditório com um silogismo bíblico de responsabilidade na comunicação do evangelho dizendo: ‘... em Gana a Igreja fortemente expressiva no sul do país ainda não se despertou para as quase 100 tribos não alcançadas ao norte, dentre elas os Konkombas-Bimonkpeln com os quais trabalhamos. Infelizmente ainda é necessário o envio de missionários estrangeiros para o alcance das tribos ao norte porque a Igreja dorme’. 
Na preleção a seguir um norte americano falaria sobre o desenvolvimento de igrejas autóctones. Ele iniciou seu sermão mais ou menos da seguinte forma: ‘Fui missionário por mais de 20 anos na Amazônia brasileira entre indígenas ainda não alcançados, pois apesar da existência de milhões de evangélicos naquele país não havia missionários suficientes. Isto porquê a Igreja dorme’. 

Apesar do constrangimento reconheci, infelizmente, que suas palavras não estavam tão longe da verdade. É preciso mudar. 

Ronaldo Lidório 
ronaldo.lidorio@terra.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2013

POBREZA ENVERGONHADA



"Tu porem, quando deres a esmola,ignores a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto..."

Em Jerusalém, nos dias de Jesus, algumas eram as iniciativas para com os pobres e miseráveis. Joachim Jeremias informa-nos que nesta época, Jerusalém era considerada terra de mendigos. Há uma instituição que só se encontra em Jerusalém: a caixa de auxílio para a pobreza envergonhada. 
Havia duas salas no Templo de Jerusalém: uma chamava 'Sala dos Silenciosos' (ou dos pecadores); outra sala chamava-se 'Sala dos Utensilios'. Na sala dos silenciosos as pessoas, temendo seus pecados, depositavam suas dádivas em silêncio (= secretamente) e os pobres de boas famílias (pobreza envergonhada) eram atendidos em segredo. É provável que Jesus tivesse em mente essa prática quando mencionou a esmola, "feita em segredo" (Mt 6.4), em oposição à caridade praticada publicamente, ao som da trombeta.

domingo, 14 de abril de 2013

A SÍNDROME DO EVANGELHO DESCARTÁVEL E UTILITARISTA



VENCENDO O UTILITARISMO NO RELACIONAMENTO


Texto Bíblico: 2 Timóteo 4.11

Introdução:
O tema da semana nos desafia a dinâmica de uma caminhada cristã marcada pelo companheirismo, pela solidariedade, pelo mutuo apoio – A igreja cristã deve ser modelo de consolo pelo companheirismo.

Inegavelmente, ao lermos as Escrituras Sagradas, notadamente percebemos grandes exemplos de companheirismo que vieram associados a atos de fé:
- Rute e Noemi (Rt 1.17) “Onde quer que fores irei eu, onde quer que pousares, ai pousarei eu, o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.

- Davi e Jônatas (1 Samuel 23.16) “Então, se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi, a Horesa, e lhe fortaleceu a confiança em Deus”.

- A cura do paralítico em Cafarnaum (Mc 2.1-12) “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, estão perdoados os teus pecados”.

- Do Evangelho de Lucas, temos a metáfora contada por Jesus de um exemplo de solidariedade e vida – A parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37).

Todavia, irmãos! Ao estudarmos acuradamente as Escrituras Sagradas, vemos como grandes líderes na fé, grandes líderes eclesiásticos foram, também, assaltados por outro tipo de comportamento. Deixaram alguns registros inegáveis desta conduta inadequada e que na verdade, não nos deveria servir de referencial e modelo – pelo menos quanto a tais ações.

Um destes exemplos inadequados vem de uma conduta que tem se tornado cada vez mais  freqüente nas relações humanas – o UTILITARISMO.

Definição: Em Filosofia, o utilitarismo é uma doutrina ética que prescreve a ação (ou inação), é uma forma de consequencialismo, ou seja, ele avalia uma ação (ou regra) unicamente em função de suas conseqüências e de seus interesses.
Utilitarismo  é uma escola filosófica que nasceu no século XVIII, na Inglaterra. Esta expressão foi plasmada por Jeremy Bentham, na primeira metade do século XIX, em referência à essência desta doutrina. Mas ela foi usada originalmente por Stuart Mill, que estendeu o uso desta filosofia aos aspectos consistentes da sociedade, tais como sistema político, legislação, Justiça, política econômica, liberdade sexual, entre outros. Ele também idealizou a fundação de uma Sociedade Utilitarista.

Em outras palavras, o utilitarismo como conceito, estabelece a prática das ações de acordo com sua utilidade, baseando-se para tal em preceitos éticos. Inicialmente tinha-se em mente o bem comum diante de quaisquer ações. Mas devido ao individualismo da era pós-moderna na qual estamos inseridos, ele ganhou uma abordagem perniciosa, egocêntrica, descartável e ruim.

O sociólogo Zigmund Bauman afirma que vivemos em uma sociedade liquida, onde os relacionamentos são frágeis. O amor é frágil, os elos de relacionamento são superficiais e embriagados de utilitarismo. Nossa cultura celebra o descartável. Os bens são fabricados para consumo e descarte... e nessa onda  pós-moderna, os relacionamentos passaram a obedecer o mesmo padrão: Utilitarismo e descarte.

Narração:
Nosso texto nesta hora, é para mim, uma das páginas mais negras da caminhada vitoriosa de fé do apóstolo Paulo. Todavia, acho importantíssimo ressaltarmos tais situações, pois muitas vezes estamos vivendo um cristianismo centrado em Paulo e não em Cristo. Cristo foi perfeito, Paulo não. Conquanto as grandes temáticas teológicas e doutrinárias do NT vieram da pena de Paulo, nem sempre os exemplos mais expressivos de prática cristã vieram do mesmo autor.

Porque digo isso ? Leia comigo novamente o texto de 2 Timóteo 4.11: “Somente Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério”.

Para quem lê este texto meio que desavisado, tem a impressão que Paulo em um gesto de humildade pede um Help em meio as dificuldades do ministério. Que beleza, Paulo pedindo para que Marcos lhe fosse trazido como apoio... Mas o texto diz muito mais que isso.

Para se entender este texto, é preciso termos em mente algumas questões:
Quem era o Marcos que Paulo pede para que fosse levado até ele ?

- Marcos é um personagem interessante nas páginas do NT. Ele é filho de Maria, uma senhora distinta e rica que acolheu a igreja cristã em seus primeiros dias. Maria, provavelmente conheceu o ministério terreno de Jesus, e nesta época, Marcos era muito novo. Em Atos 12.12, quando Pedro é solto da prisão, a igreja estava reunida na casa de Maria, mãe de João, cognominado Marcos... (Marcos é o nome grego, e João o nome hebraico)

- Marcos também é caracterizado nas Escrituras Sagradas como primo de Barnabé. Em Colossenses 4.10 – Paulo cita esta identificação familiar – “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé”.

- João Marcos acompanhou a Barnabé e Paulo (Saulo) na primeira viagem missionária. Atos 12.25, quando Barnabé e Saulo retornam de Jerusalém em direção a Antioquia, levam junto a João Marcos. Todavia, alguns fatores, que não nos cabe a abordagem agora, levaram João Marcos a desistir de acompanhá-los na viagem. Ele no meio do caminho volta pra trás, pra Jerusalém (Atos 13.13).

- Tempos depois, quando dos preparativos da segundo viagem missionária – Paulo e Barnabé passam a discutir seriamente. Veja bem – Quando Paulo se converteu, apenas Barnabé em um primeiro momento lhe estendeu a destra de companhia. A igreja não confiava na autenticidade da conversão de Paulo. Barnabé – filho da consolação foi quem o acolheu (vide pastoral boletim de hoje – Rev. Juarez). Barnabé deu chance a Paulo, queria novamente dar uma chance ao seu jovem primo João Marcos. Mas Paulo discute com tal rispidez com Barnabé, que o registro bíblico assim nos diz (Atos 15.37-39):
“E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre, mas Paulo, tendo escolhido a Silas partiu para a Síria e Cilícia”.

- Da história da Igreja, temos informações que em Chipre, Barnabé foi executado e João Marcos seguiu para Roma, onde o Apóstolo Pedro acolhe o jovem e passa a discipulá-lo. Em 1 Pedro 5.13, lemos que Pedro, pastoreando em Roma o considerava um filho na fé: “Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos” .

- Aos cuidados de Pedro – na cidade de Roma, João Marcos cresce na fé. Ali em Roma, João Marcos que para Paulo – não prestava para acompanhá-los, torna-se o autor do primeiro texto do Novo Testamento. Irineu (um dos pais apostólicos) declarou que: “João Marcos, discípulo e intérprete de Pedro, deixou-nos de forma escrita aquilo que Pedro proclamara”. Uma outra citação histórica vem de outro pai apostólico, Eusébio (século IV). Ele informa que a pedido dos crentes de Roma, Marcos compilou um material daquilo que o apóstolo Pedro ensinava na igreja em Roma. Outras citações históricas dão conta exatamente desta mesma realidade.

- O rapazinho improdutivo e inútil da primeira viagem missionária, torna-se agora o autor do primeiro material do Novo Testamento – o Evangelho que leva seu nome (Evangelho de Marcos). Logo em seguida, a execução de Pedro e Paulo em Roma, Marcos vai ao Egito, mais precisamente em Alexandria e ali funda uma igreja que continua  viva até os dias de hoje – a Igreja Kopta!
Poderosas igrejas como Éfeso, Esmirna, Filipos... já há muito desapareceram... A igreja de Alexandria, que se esparramou pelo Egito como fruto do trabalho de João Marcos – sobrevive em meio ao islamismo até hoje!

Mas voltemos ao texto. Após toda esta volta histórica, após a morte de Pedro, temos a percepção que Paulo e Marcos se reconciliam. Marcos passa a acompanhar Paulo e depois lhe dá suporte em Roma. Assim lemos que o apóstolo Paulo pede a Timóteo que traga o rapaz – pois este lhe era útil ao ministério. Lamento, em parte, a questão do util. Lamento porque isso aponta muitas vezes para esta prática maligna de relacionamentos descartáveis... mas por outro lado, é até um reconhecimento de Paulo, que aquele que em um determinado momento não prestava para acompanhá-los, é agora, reconhecido como alguém produtivo e util. Da situação de João Marcos, ao utilitarismo de Paulo podemos aprender algumas preciosas lições na fé:

1.        A GRAÇA DE DEUS NOS CONCEDE OPORTUNIDADE DE CONSERTAR ERROS DO PASSADO (OU DECISÕES ERRADAS)

Síntese: João Marcos ficou conhecido inicialmente, na cristandade como o rapaz que abandonou Paulo na viagem. Paulo corria o mundo e certamente esta fama de João Marcos também. Para piorar, o seu primo – protetor Barnabé, morre na seqüência em Chipre. Quem o apoiava morreu, e lhe sobrou apenas os ataques.

Pedro o acolhe e o discípula. Deus lhe concede uma nova oportunidade, até então, nunca pensada por ninguém – Registrar para a igreja a mensagem evangelistica de Pedro. Com isso, pela sua graça, Deus concede uma nova oportunidade de superar os erros da juventude, de consertar decisões equivocadas... e curiosamente, a partir de alguém que quando errou, (negou a Jesus) teve uma oportunidade de recomeçar – Pedro. Belo exemplo de Pedro... 

Paulo também, teve a oportunidade de pela graça de Deus, rever sua posição quanto a João Marcos. Há posturas muitas vezes, intransigentes nos relacionamentos que necessitam ser amolecidas e tratadas pela graça de Deus.

2.        A GRAÇA DE DEUS NOS HABILITA AO MINISTÉRIO ABRINDO NOVAS FRENTE DESAFIADORAS

Síntese: Também, a mesma graça de Deus amplifica as possibilidades ministeriais, com frentes inovadoras que João Marcos, talvez jamais imaginasse. Antes de Paulo escrever qualquer texto, João Marcos passou a ser conhecido no mundo cristão, como o evangelista!

Se talvez, em um primeiro momento, ele não serviu para a dureza das viagens missionárias - todavia, a graça de Deus lhe concedeu a primazia de ser o primeiro texto cristão.

As vezes, não entendemos algumas portas que se fecham, para que lá na frente, outras frentes desafiadoras se manifestem para a edificação do povo de Deus e glória do nome de Jesus!


3.        A GRAÇA DE DEUS NOS ENSINA A HUMILDADE PARA SUPERARMOS AS DIFERENÇAS EM PROL DO REINO DE DEUS

Queridos, eu não desejaria ter Paulo como adversário na caminhada de fé! Paulo gozava na antiguidade de um conceito absolutamente diferenciado. Paulo nunca conviveu com Jesus. Não foi discípulos de Jesus em seu ministério terreal. Mas a cristandade o tinha em alta consideração, como até hoje. Um dos pais da Igreja – Policarpo de Esmirna declara em sua carta escrita aos Filipenses, por volta da metade do segundo século, algo curioso sobre Paulo: “não é irmãos de mim mesmo que vos escrevo estas coisas sobre a justiça, mas porque me provocastes. Nem eu, nem qualquer outro semelhante a mim, pode competir com a sabedoria do bem-aventurado e glorioso Paulo...”

Tenho a mais profunda convicção que a indisposição de Paulo com Barnabé, fez também muito mal a João Marcos. Nestas horas, um sentimento de amargura, de chateação toma conta do coração. Há pessoas que após serem feridas em uma questão relacional, em uma discussão administrativa ou conciliar, nunca mais conseguem retomar a amizade, o carinho e a normalidade da vida... Agasalham em seu íntimo – raiz de amargura! E isso atrapalha, limita e impede o crescimento ministerial nas mais diversas áreas.

Paulo pede para trazer João Marcos... será que ele foi ? Não teria dito em seu coração: eu não vou, para que, para depois ele brigar comigo novamente ? Não, agora eu to bem, a igreja me reconhece... e agora ele precisa de mim... ahhh – agora ele quer que eu vá!

A graça de Deus permitiu a João Marcos agir com humildade diante daquela situação. Escrevendo a Filemon e aos Colossenses, Paulo faz menção da presença de João Marcos como um de seus parceiros, ajudadores e colaboradores pela expansão do Reino de Deus!

Lembramos das palavras inaugurais do Eterno Mestre no Sermão do Monte: "Bem-aventurados os humildes de espírito..."

4.        A GRAÇA DE DEUS NOS CAPACITA AO SERVIÇO SEM INTERESSE DE PROEMINÊNCIA

A graça de Deus nos capacita ao serviço; se teremos ou não proeminência, destaque, ou evidência – isso compete a Deus. O que eu acho lindo no ministério de João Marcos, é que ele até teve grandes chances de alçar seus vôos solos. Afinal de contas, aprendeu com Barnabé, Pedro e agora era disputado até por Paulo. Que grande ministério faria sozinho ? Mas João Marcos, percebe que estar ao lado de homens de Deus, auxiliá-los, ser um cooperador, era uma função muito importante, para tais líderes e para ele que aproveitava para crescer!

Vivemos dias em que uns passam as pernas em outros na busca de seu lugar ao sol! Na vida secular isso é prática comum. O sujeito começa ascender na vida e passa a dar rasteiras em outros para alcançar lugar de destaque e evidência. Temos em nossa atual sociedade o culto a personalidade. Na vida ministerial, a disputa por poder também faz isso. Há os que querem se perpetuar no poder. Há os que inebriados pelo gosto sedutor do poder não largam o trono de jeito nenhum. Há os que dividem igrejas, criam facções, semeiam intrigas e inimizades nas comunidades para que em uma separação, tenham seu lugar reconhecido! Não são poucas as igrejas que surgiram por que a denominação ficou pequena demais para a grandeza de dois líderes proeminentes...

Ahh! como Marcos nos fala tão de perto. Como Marcos é diferente deste mundo cão. Marcos serve com humildade, associa-se  a Paulo novamente, como ajudador, como apoiador deste ministério, assim como o fez com Barnabé, com Pedro, também com Paulo. O exemplo maior, inspirador vem de outro João - o Batista que diante do Senhor declara: "Importa que ele cresça e que eu diminua"!

Nas Escrituras, temos grandes líderes – Tiago, Pedro, Paulo... mas em meio a todo este cenário, tanto Barnabé, como João Marcos seu primo, são exemplos de cooperadores indispensáveis na missão.

Conclusão:
Um monge estava caminhando com seu discípulo pelas margens de um caudaloso e agitado riacho. Em certa altura da caminhada, viram que um escorpião de extremo poder de veneno, tentava atravessar o riacho sem sucesso. Após várias tentativas, o monge resolveu ajudá-lo. O discípulo repreendeu o mestre, lembrando que o animal era venenoso e perigoso. Mas o mestre sem hesitação, tomou o escorpião nas mãos e atravessou o riacho com água no peito. Ao chegar na outra banda do riacho, ao fazer menção de colocar o animal no chão, o escorpião desfere-lhe uma doída e mortal picada. O aprendiz logo atravessa no encalço do mestre a reprrender-lhe novamente. Mestre, veja o que aconteceu. Não deveria ter feito isso... você agora vai morrer porque este escorpião te picou. E o mestre já sentindo as dores próprias do veneno, declara por fim ao seu aprendiz:
Eu fiz o que me era próprio fazer como monge, e ele fez o que era própria de sua natureza...” O que fazemos, revela quem somos, qual a natuireza da essência de nosso ser ?

O valor de uma pessoa não está na utilidade que ela tem em uma ocasião, quer para o ministério, quer para uma pessoa, quer para uma instituição. O valor de uma pessoa está associado ao seu ser. Em Brasilia, decadas atrás queimaram um indigena que dormia na rua,pois o confundiram com um mendigo. Por ser pobre, sem abrigo e emprego será que uma pessoa não tem mais valor ?

Temo que muitas das nossas relações interpessoais, eclesiais seja estabelecidas baseadas no utilitarismo. Você só tem valor enquanto me tem prestimo. Neste pensamento, em Minas Gerais há um ditado que expressa muito bem este conceito utilitarista: "Vassoura nova é que varre bem!"

Avalie melhor seus relacionamentos e busque no modelo de Crsito em João 13.1 a referência de uma relação duradoura e integral. Que Deus assim nos abençoe!

Pr Carlos Orlandi Jr

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A CERTEZA DA MORTE:

Todos partilham um destino comum: o justo e o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que oferece sacrifícios e o que não oferece. O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos, acontece com quem teme fazê-los. (9.2)
Este é o mal que há em tudo o que acontece debaixo do sol: O destino de todos é o mesmo. O coração dos homens, além do mais, está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida; e por fim eles se juntarão aos mortos. (9.3)
AS INCERTEZAS DA VIDA:
Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos. (9.11)
Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora: Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos num laço, também os homens são enredados pelos tempos de desgraça que caem inesperadamente sobre eles.(9.12)
A IMPREVISIBILIDADE DA VIDA:
Refleti nisso tudo e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, e aquilo que eles fazem, estão nas mãos de Deus. O que os espera, se amor ou ódio, ninguém sabe.(9.1)
COMO REAGIR AS INCERTEZAS E FATALIDADES DA VIDA?
1º. – ESCOLHA VIVER:
Quem está entre os vivos tem esperança; até um cachorro vivo é melhor do que um leão morto!
Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles. (9.4,5)
2º. – DESFRUTAR O EFÊMERO
Portanto, vá, coma com prazer a sua comida, e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz.(9.7)
Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras. (Mateus 11.19)
3º. – CELEBRAR A VIDA
Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo.(9.8)
O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:1o)
4º. – DIVIDIR OS DIAS COM AS PESSOAS AMADAS
Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol.(9.9)
5º. – DIZER MAIS SIM DO QUE NÃO
O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.(9.10)
6º. – CONFIAR NA BONDADE DE DEUS
Refleti nisso tudo e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, e aquilo que eles fazem, estão nas mãos de Deus. O que os espera, se amor ou ódio, ninguém sabe.(9.1)
Portanto, vá, coma com prazer a sua comida, e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz.(9.7)
RESUMINDO:
NÃO TENTE:
- Procurar entender o que não se pode entender: o futuro;
Lutar contra o que não se pode lutar : a morte;
Mudar o imutável : bênçãos ou tragédias:
Controlar o incontrolável: a maldade dos homens;
Tente apenas viver 
“FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA”
PAIXÃO PELA VIDA
É assim que vejo a morte moderna. É a vida sem dor, sem paixão, apática. Antigamente ainda nos queixávamos de que não havia muito amor entre as pessoas. Hoje em dia desaparece até mesmo o amor pela vida. Há pessoas com medo da destruição do mundo pela questão ecológica, eu, porém, tenho a impressão de que antes disso, vamos todos morrer fulminados pela apatia. 
“O pior é que a gente vai se acostumando”.
Assim como nos acostumamos com a violência nas ruas, nos acostumamos com a ameaça atômica e com a própria morte antes que ela chegue. Por quê? Porque sem paixão pela vida definha a resistência.Somente a paixão e o amor nos tornam vivos em plenitude. O que permanece da paixão pela vida é o amor, o “sim” apaixonado para a vida” 
A vida se faz presente onde os doentes são curados, os leprosos aceitos, e os pecadores perdoados. Essa vida divina, liberta, salva, faz-se presente em nosso meio. Basicamente, a vida de Jesus não nos consola para uma vida no além ou nos dá esperança para o futuro. Ela nos orienta para a encarnação, a humanização, e a salvação ao aceitar os perseguidos e ao reativar relações humanas adormecidas”
Jurgen Moltmann

Pr. Gelson Magalhães